Vi um documentário que tentava responder a uma das perguntas mais simples de sempre: Que horas são? Pasmem-se, mas a resposta não se dá apenas olhando para o relógio. É incrivelmente mais complexo que isso, mesmo, e provavelmente nem se sabe ao certo que horas são na realidade. Durante uma hora de palavriado caro e do ramo da física e afins, descobre-se que o dia nem sempre tem vinte-e-quatro horas. Ah pois, e há gente que diz que gostava mesmo era que o dia tivesse mais horas. Não tem mais horas, mas pode ter mais (ou menos) um mili-segundo, ou lá como é que se chama, tudo por causa do vento. Há quinhentos mil anos atrás, o dia tinha vinte-e-duas horas, vejam só, o que significa que o movimento diário de rotação da terra tem vindo a diminuir, por razões demasiado complexas para ser eu a explicar.
Mas isto torna-se complexo quando pensamos no início disto tudo. Afinal como é que o tempo começou? E, já agora, que relógio é que está verdadeiramente certo e porquê? Talvez o início tenha sido com os Maias (não os do livro, aqueles mesmo-mesmo antigos, que viviam ali para os lados do México), que tinham uma grande fixação pelo tempo, mas não tinham relógios, nem mesmo aqueles de sol (como aquele com o qual eu costumava brincar, no hospital dos Capuchos, achava aquilo fascinante, embora tenha demorado a perceber como é que a cena funcionava). Assim, guiavam-se por ciclos de tempo baseados em todos os corpos celestes que viam no céu - haja complexidade. Mas estes tipos eram de tal maneira fixados na cena do tempo, que até achavam que tinham que o ajudar a passar, porque acreditavam que o passar do tempo criava espaço (criava o Mundo, que hoje temos) - achavam que, alimentando o Sol (com sangue humano, diga-se), este ajudava ao passar do tempo, gerando então o dito espaço. Há ainda mais coisas, como a arquitectura, que também era totalmente dedicada ao tempo.
No documentário, tomamos conhecimento da existência de um Director do Tempo, que devo dizer que é um cargo com um nome porreiro para se dizer por aí. Esse senhor conta-nos que o "tempo" foi definido nos anos cinquenta, com base na posição das estrelas e essas coisas todas, mas também nos diz que precisamos de algo mais preciso. Há um relógio atómico que, de facto é bastante preciso - só falta é que todos acertemos o relógio a partir daí.
E, para além das horas, temos os dias, os meses, os anos, que também acabam por ser algo subjectivo de cultura para cultura. Para nós, estamos em dois mil e nove, mas para os islâmicos não, nem para os judeus. Em dois mil e doze, os Maias estariam no ano 130 000. Bolas.
E uma questão curiosa levantada no documentário é a seguinte: "Muito do que acreditamos que está no presente, já aconteceu." Ao olhar para uma luz distante, como a do Sol, não temos noção de que a luz viaja (e de bem longe) e, estando esta estrela a cerca de cento-e-cinquenta milhões de quilómetros daqui, demora cerca de oito minutos a chegar até nós. Ou seja, se olharmos para o Sol agora, estamos a ver como ele era há oito minutos atrás. Uau.
Para a questão, "Que horas são?", propõe-se relembrar o ponto em que o planeta nasceu, que sabemos ser de uns bons treze-vírgula-sete biliões (ou bilhões?) de anos. Portanto aí têm uma das possíveis respostas que nos levam a crer que dois-mil-e-nove é um número quase atirado ao acaso.
Para finalizar, deixo-vos uma questão colocada no fim: "E o nosso futuro, já existe?". Há a possibilidade de já existir, se todo o tempo estiver definido como parece estar.
Vejam o documentário, chama-se "Do You Know What Time It Is?" e é mesmo muito interessante, mesmo para quem não perceba um bocadinho que seja de física e de mecânica quântica.